quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

  (...Perante uma ameaça, como um antibiótico, “as bactérias têm de trabalhar solidariamente”, explicou, acrescentando que, se a maioria das bactérias trabalha em prol do mesmo fim, também há bactérias que não trabalham. “Quando as bactérias (trabalhadoras) se apercebem que há bactérias vira-casaca, viram-lhes as costas”, concluiu o neurocientista, sublinhando que estas reações são ao nível de algo que possui “uma só célula, não tem mente e não tem uma intenção”, ou seja, “nada disto tem a ver com consciência”....) ANTÔNIO DAMÁSIO autor do livro "O ERRO de DESCARTES".



SOBRE ESTA TAL DE "EDUCAÇÃO" DOS INSTINTOS.

  Uma BACTÉRIA então tem um repertório de instintos. Vida de bactéria não é fácil, pois elas, as bactérias, teriam  instintos sem terem cérebros e nem tão pouco dispõem da CONSCIÊNCIA. Imagino-me colocando-me no lugar de uma bactéria, como seria difícil para mim, ajudar solidariamente um humano semelhante de corpo e psique, quando visse alguém passando fome ou correndo perigo de morrer.

   Ora, se para mim que disponho de um repertório ético, bebendo nas fontes dos clássicos da literatura humanizante, já seria assim algo de tão difícil, ter que agir no mundo de hoje exibindo posturas e valores de afetos agregadores, imagino como seria tão complexo para uma bactéria ajudar outra bactéria em situação de perigo de perda da própria vida.  Se uma bactéria agir solidariamente por INSTINTO, seria tal qual uma programação biológica de uma máquina pré-programada para atuar de forma repetitiva e monótona, o grande risco de extinção da própria espécie seria inexorável.

   E as bactérias nunca teriam chegado até o ano de 2018.  Por estes continentes americanos a boa EDUCAÇÃO humana anda em crise desde as bandas das AMÉRICAS do NORTE do CENTRO ao nosso SUL,  TUPINIQUIMICAMENTE desvalorizado demais pelas perdas e danos, nos causadas pelas FALTAS de EDUCAÇÕES da alma e do corpo. Ora se toda unanimidade é burra,( NELSON RODRIGUES...) ter uma programação bacteriana INSTINTIVA de agir de forma igual e monótona diante dos perigos de mortes por perto, seria algo de dizer que os INSTINTOS seriam ESTÚPIDOS, pois nunca permitiriam a CRIATIVIDADE de  imaginar defesas variadas diante dos riscos de perda da vida.

   E os DINOSSAUROS entraram em extinção por disporem de um monótono e  repetitivo sistema LÍMBICO no CÉREBRO primitivo, sem nunca terem experimentado a rica região do CÓRTEX CEREBRAL. com suas longas conexões sinápticas, entre nervos e SEROTONINAS e DOPAMINAS.

   Minha dúvida  maior seria uma tal  que, se  como seres humanos, que temos a disposição o tal CÓRTEX cerebral, poderíamos evitar a extinção inexorável tal as BACTÉRIAS supostas, as  que inventei nessa narrativa, e outros SERES VIVOS guiados pelos  INSTINTOS.

   Ora, ora, ora...

 Penso e suponho que os INSTINTOS, educados ou não, nunca fariam a menor diferença para um humano na hora do perigo.

    Na cultura orixá, por exemplo, há uma narrativa SIMBÓLICA de alta sabedoria instintiva. Dogo assim,  por que não requer ser alfabetizada uma pessoa humana para ter uma postura de sabedoria diante dos perigos que a vida muitas vezes nos impõem tão inesperada e rapidamente.

     Uma sabedoria de dois ORIXÁS integrados seria uma condição essencial para que uma pessoa se tornasse uma INICIADA. EXU e ORUMILÁ teriam que agir na alma de um INICIADO em parceria, de forma que as TURBULÊNCIAS arriscadas de EXU fossem caminhos para que o ORUMILÁ, o ORIXÁ da META, na alma do iniciado ou iniciada, se manifestasse como solução para as enrascadas e perigosas turbulências provocadas por EXU. E tal reação tão rápida, de forma a integrar a TURBULÊNCIA e a SAÍDA das turbulências da vida, não seria assim tão racional, de forma a esperar um tempo de reação em relação ao momento que a turbulência tenha se manifestado até achar a  solução, sem risco de perda da vida. Não haveria tempo para ficar raciocinando se correr ou ficar parado. Pensar demais ou de menos não é problema.

   Ora, ora...Um instinto bem apurado do iniciado permite que a saída da turbulência aconteça.

  Um pescador de alto mar entra na sua canoa de madrugada e não erra o local do pesqueiro após 5 a seis horas de navegação na escuridão dos olhos cartesianos. Pois os olhos cegos para uma noite escura com céu nublado, nunca ´permitiriam a quaisquer racionalidades embarcadas nas canoas em mares revoltos, que fosse viável o nosso acesso visual ao mapa celeste escrito nas  estrelas. Mas os pescadores, embora não saibam explicar o que fazem para chegar nos pesqueiros, o interessante é que eles sempre voltam do mar quase na manhã seguinte, com muito, muito e muito PEIXE.

 E o melhor é que não há curso para PESCADORES e nem ESCOLAS qualificadoras, que ofereçam diplomas de PESCADORES. Aí não faz muito sentido uma suposta EDUCAÇÃO dos instintos. Pois se algo  é de origem no instinto mesmo, terá que ser acessado, nem sempre por provas, leitura de livros, sites e com diplomas de formaturas. Pode ser que todo o repertório cultural que nos chega junto com os diplomas nos ajudem. Se podemos chamar isto de curso, para iniciação na pescaria haveríamos que encarar os mares revoltos na escuridão das vistas opacas e partirmos em busca dos pesqueiros que nos aguardam.

   Saberes demais em profusão e razão cartesiana em doses cavalares de pensamento exagerados, podem ser TABERNÁCULOS  encavernados da morosidade da vida, que diante dos perigos e turbulências, não nos oferece assim muito TEMPO para pensar.  Tempo suficiente para acharmos os nossos PESQUEIROS escondidos de nós há muito tempo. Os INSTINTOS não usam os relógios, pois os relojoeiros não existem nas formas ARCAICAS de convivermos mais com a natureza, como nos restam ainda poucos grupamentos humanos indígenas, dos quais herdamos INSTINTOS de bons PESCADORES. 

  E então, gostaria de prestar mais atenção numa dimensão diferente da vida. E quem sabe poder conviver muito mais com os seres elementares e feitos com ÁGUA e bolinhas de sabão, subindo para o AR, cada vez que acendemos uma fogueira de SÃO JOÃO, ao som das sanfonas e violas. Seguiremos namorando mais em partilhas e trocas de carícias e afetos. E ateando o FOGO dionisíaco da alegria e descontração, poderemos tocar os PÉS numa TERRA onde saberemos muito mais QUEM SOMOS NÓS e de onde VIEMOS. Melhor agregação social coletiva do que esta não haveria, pois  que no terreno das convicções afirmativas,  nos permite dar as mãos e alçar alcances mais transcendentes de condição mais espiritualizada de alma, sem que tenham que ficar nos dizendo que isto pode ou não pode fazer, ou que aquilo outro é certo ou errado.



Gisnaldo Amorim Pinto.
22 de FEVEREIRO 2018.

Nenhum comentário:

Postar um comentário