O REINO ENCANTADO pode ser algo de uma beleza impregnada,
Na alma da gente que fora das cidades grandes foi de nascida e criada.
Fomos vendo o canto dos galos garnizés de manhã cedo;
Fitando olhares nos pescoços dos calangos,
Gesticularem entre afirmações ou negações.
De repente foi pescando piabas magrelas,
De quase não ter nada de panças nas barrigadas,
Mas de ter bom motivo prá fazer uma boas fritadas,
Que num sobra do nadinha de quase nada,
Qualquer indício de carne seca,
Embora restem alguns ossinhos ressecados,
Prá comer com as mãos engorduradas,
Brilhando tais estrelas cintilantes,
Envernizadas do melhor sebo para mãos ensebadas.
REINO ENCANTADO deixa mais registros na alma.
De fazer fubá do milho colhido em moendas de moinhos d'água,
Uma loucura que me invade de marcas boas e insuportáveis,
Me manchando o verbo da língua sem perigos de forcas
No pescoço da gente do interior que semeia, colhe e planta
Nas securas dos corações alheios as sementes das poesias
Que casadas com as violas e folias inseminam de luzes,
Entre trovões, trovoadas e nas ventanias.
Neste REINO da PEDRA do REINO...
Que um dia batizou-se e tendo sido gerado um SUASSUNA,
A base concreta de poetas a trovadores de cantorias vadias,
Na nova gênese da nossa vida em recriação
Que se fizeram luz na manhã dos oitavos dias,
Podemos nascer sem perigo de perder as almas sadias.
Neste REINO ENCANTADO da alma,
Ninguém perderá o pescoço da carne,
Em dias negros das guerras que matam
As carnes dos poetas e poetizas,
De pescoços suculentos para os urubus,
Imagem do artista ARTHUR BISPO do ROSÁRIO.
O REINO ENCANTADO não será mesmo neste mundo.
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Gisnaldo Amorim Pinto.
MINAS GERAIS.



